Meu Empirismo Vernacular ... por Ivan Bueno


DOCENTES INDECENTES
Ivan Bueno - 08/03/2009 (18:46h)


No meio acadêmico espera-se encontrar, teoricamente, um ambiente de sabedoria e aprendizado onde docentes e discentes trocam ideias, aprendem uns com os outros e onde os docentes, em teoria mais detentos de bagagem, ao menos teórica, fariam de tudo para capacitar seus alunos. Infelizmente isto ocorre, mas na minoria dos casos. Os docentes das universidades a cada dia estão menos preocupados em ensinar, menos preocupados em criar gente competente para entrar no mercado. Eles têm medo da "concorrência". Quem é competente não precisa ter medo da concorrência, mas aí nem é uma questão de concorrência, é uma questão de guerra de egos, às vezes uma guerra unilateral. Assim os docentes vão ensinando como ser arrogantes, como não compartilhar conhecimentos, como humilhar, pisar, pois sentem-se detentores do "poder da sabedoria". Quanta igorância. É com tristeza que ouço de dezenas de amigos dedicados em fazer com sacrifício cursos de mestrado e doutorado e que são literalmente esmagados e humilhados pelos outros mestres e doutores, ainda que quando são aprovados. Há um prazer mazoquista em humilhar, em ver o candidato ao título suar frio, tremer e sentir-se à beira da desaprovação. São estes os docentes, mestres e doutores, que temos na maioria dos casos. Não são todos, felizmente. Muitos desses "doutores" nunca saíram da teoria para a prática. Então como podem ser chamados de doutores? Doutores teóricos? De que serve uma teoria não aplicada. De que serve um engenheiro doutor em estruturas de concreto armado que nunca fez um projeto estrutural de uma casinha de cachorro? Pois já vi um desses vociferando com toda sua animosidade e arrogância diante de um "simples engenheiro", mas um engenheiro cheio de experiência, e ser obrigado a se calar quando indagado sobre quantos projetos ele tinha registrado no CREA. Nenhum! Engenheiro doutor? E o réles engenheiro sem mestrado e doutorado tinha mais de 500 projetos registrados no CREA, executados e servindo a comunidade. Daí paro para me perguntar sobre os critérios de seleção que tanto levam em conta os títulos de mestre e doutor. São obsoletos, são ridículos. Não é a publicação de uma tese que torna uma pessoa capaz, mas sim sua capacidade de atuar no mercado com o conhecimento que tem e sua capacidade, se docente, de ensinar e estimular seus alunos. Infelizmente isto é raridade. Felizmente não é regra absoluta.



Escrito por Ivan Bueno às 18h45
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


A PAUSA, O SILÊNCIO

Ivan Bueno – 07/05/2009 (01:02h)

A pausa na música, é música;

A pausa no diálogo, é diálogo;

O silêncio faz parte do diálogo, faz parte da música, é necessário.

Silêncio como parte, integra;

Silêncio como regra, desintegra, isola, destrói.

Não concebo uma sinfonia sem pausas,

Nem tampouco um solo de bateria sem paradas e viradas.

O equilíbrio está em balancear ação e pausa,

E não só na música ou no diálogo, mas na vida toda, em tudo.

Só não se pode ter a pausa total, o silêncio total.

Os ouvidos são janelas abertas por onde entra vida naturalmente.

Os olhos são janelas que dominamos e deixamos a vida entrar quando queremos.

O que isola mais? Um ouvido fechado ou um olho fechado?

Pior de tudo é alma surda, espírito cego, bondade paralítica, o resto não é defeito,

É característica, é particularidade, é capricho desnecessário, mas capricho.

Deu-se o tom, entoam o primeiro acorde os primeiros instrumentos,

E seguem em movimento inicial, e pausas, e silêncios da música e da platéia.

Até o silêncio da desta, às vezes, é o aplauso mais veemente de estupefação!

Clap clap clap... surgem os ruidosos aplausos das mãos e os assovios,

Segue-se mais silêncio e mais som e mais ação e mais pausa.

Diálogo que não comporta silêncio é monólogo, ansiedade incontida.

Música que não comporta pausa é barulho desenfreado e falta de talento.

Temos dois ouvidos e uma boca, mas também dois olhos.

Devemos ouvir mais, observar mais, daí, então, falar com propriedade.

O silêncio e o som, a sabedoria da dosagem das notas, da harmonia...

A sabedoria do ouvir, do ver, do falar, enfim, do viver.

Viver em harmonia entre os movimentos do pêndulo que oscila pelos opostos

Passando sempre pelo ponto de equilíbrio.

Os extremos são necessários desde que o ponto de equilíbrio seja sempre tocado.

Psiu, silêncio: ouça bem o som quieto e manso desta linda madrugada.



Escrito por Ivan Bueno às 01h11
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


AMOR E BRASA... PAIXÃO E FOGO...
Ivan Bueno - 14/03/2009 (12:03h)


Há pessoas que sabem amar.
Há pessoas que apenas dizem saber amar
Mas cobram o que não se cobra,
O que só surge naturalmente.
Querem uma exclusividade doente
Que vai além da desejada lealdade.

Amar é simples e complexo:
Simples pela ausência quase total de regras exatas;
Complexo exatamente pelas mesmas rasões.
Ama-se ou se deseja uma posse impossível?,
Uma exclusividade impossível?,
Uma dedicação quase à beira da anulação?

Confunde-se amor e paixão!
Confunde-se brasa que aquece contínua com chama que se apaga;
E se a cobrança é grande, a cobrança é, então, água
E apaga o fogo, e enfraquece a brasa.
E a fumaça intoxica o nariz, os olhos, a visão
E aí no meio, tudo se perde, por fim...



Escrito por Ivan Bueno às 21h45
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


PÓS-CARNAVAL
Ivan Bueno - 23/02/2009


Ah, que festa linda e vazia me parece o carnaval. Quatro dias de insuportável alegria fútil a desfilar por todos os cantos. Todos tão alegres, todos tão bem, todos tão superficiais. Muitos me apedrejarão e me jogarão pedras por eu denegrir a imagem carnavalesca do país, mas o país emburrece, para, paira na superficialidade de uma alegria inventada, artificial. Nem mesmo aquele tom reflexivo do carnaval de Veneza há aqui. Carnaval e futebol. Nossos orgulhos? Acho que não. Nossa moeda de venda barata. Nossa imagem fútil, imbecil, colorida, bela (por que não?).

Carnaval... Para o "planeta Brasil". Planeta, pois parece que nos esquecemos do resto do mundo. É bom saber lidar com os problemas, saber colocá-los de lado vez por outra, mas esquecê-los, não. Criticamos tanto os americanos por olharem tanto pra si mesmos e fecharem os olhos ao mundo, e fazemos da mesma forma nos carnavais e copas do mundo. Patéticos comportamentos, ambos! Será só nessas ocasiões? Tenho dúvidas. Às vezes não enxergamos a própria futilidade... Nossa futilidade estampada em forma de carnaval e futebol, e tão glorificada até por intelectuais. Valha-me!

Alalaô ôôô ôôô, mas que calô ôôô ôôô...



Escrito por Ivan Bueno às 15h29
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


HÁ DIAS
Ivan Bueno - 18/02/2009 (00h10)

Há dias em que a mente, mais habitada por pensamentos criativos, faz os dedos se moverem em processo criativo. Noutros dias, somos como moscas mortas a ressecar seu exoesqueleto ao vento, ao sol. Há dias em que a cabeça gira, e é como que em uma roda gigante rodeada de belas paisagens, como aquela às margens do Tâmisa. Há dias em que a cabeça gira, e é como que em um tufão, desordenado em meio ao ordenado caos que rege tudo.

Hoje acordei de um pesadelo enorme! Fui para as ditas abluções (palavre estranha, esta) como quem tinha sido salvo de uma vida paralela, uma ida paralela. Personagens conhecidos e desconhecidos neste sonho/pesadelo. Tudo louco, como devia estar a minha loucura. No café da manhã, meu rosto, meu semblante, transparecia o choque de quem acaba de sair do meio de uma tragédia imensa, mas também ainda sem entender bem. Será que algum dia nos entendemos, mesmo?

Os sonhos, "A Interpretação dos Sonhos"... Ah, Freud, muitos tentam te atacar por tanto se atracarem em si. Não és o dono da verdade, mas gosto de mergulhar nas parcas psicanálises que sei. Gosto de me buscar em meio a estes furacões. Às vezes vejo alguma luz na interpretação, às vezes não.

Agora só me lembro da sensação, mas não mais do que ocorria. É estranho, isto. É olhar pra dentro de si mesmo, é criar, ver a si próprio com os próprios olhos internos e não compreender. É você falando pra si mesmo algo a ser compreendido, e não compreendendo aquela mensagem do id, o nome chique do inconsciente. É estranho "saber sem saber que sabe", e estamos todos no mesmo barco, ainda que sejamos, também, barcos individuais num imenso mar de igualdades... nem sempre justas, diga-se.

Isto é a vida! Não me acostumo fácil. Sou birrento!



Escrito por Ivan Bueno às 00h07
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


MARGENS LARGAS ESTREITAS

Ivan Bueno – 17/02/2009 (23h48)

 

 

É tanta margem de erro neste rio quase sem margens,

Sem matas ciliares,

Sem matos protetores,

Cheio de predadores, e me sinto indefeso.

 

Não, as margens de erro são pequenas. Grande só pros predadores.

Eu sou caça, não caçador.

Me esgueiro como posso,

A mata, mata e é vida, como pode ser.

 

Gritar pra que, se Deus não dá atenção a birras infantis,

E somos todos tão infantis!

Correr pra que? Pra onde?

Os predadores habitam nossas paranóias e nossa realidade.

 

É difícil se dividir, como é difícil se unificar, introjetar vida.

Sou uno, sou duo, sou não sei quem, ou que.

Ser humano não é fácil.

Por isso muitos se tornam máquinas de viver.

 

E fingem viver alegremente, ricamente, em sucesso,

E fingem viver...

Poucos vivem, mesmo.

Poucos se arriscam mesmo nessas margens largas estreitas.



Escrito por Ivan Bueno às 23h57
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


Assalto de Viver

Ivan Bueno – 24/02/2008 (02h12h e 12h22)

 

 

Assalto de emoções,

Assalto de transgressões,

É este o viver.

 

Regras são regras,

Vida é vida.

A consciência é a mãe dos atos.

 

Se livre ou não,

Depende do ser,

Da subjetividade;

 

Da liberdade,

De certas jaulas mentais,

Da vontade;

 

Da independência dos tabus,

De depender de regras humanas,

Sempre tão humanas.

 

Não há Deus que nos permita,

Não há Deus que nos proíba,

Nós somos deuses irresponsáveis.

 

Regras são regras,

Vida é vida,

A consciência é a mãe das escolhas.

 

Viver com menos regras,

Viver mais consciente,

Chave que abre sorrisos e encantos.

 

Viva!

Arrisque-se!

Viva o risco de ser feliz.



Escrito por Ivan Bueno às 22h30
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


APONTA-ME O DEDO

Ivan Bueno – 22/04/2008 (22:13h)

 

Aponta-me o dedo acusativo!

Deixo barato se não conseguires alcançar meu nariz.

Caso o alcance, que saibas correr rápido!

Vou ao teu encalço a te fazer provar tuas inocências

Em meio a tantas demências.

 

Aponta-me o dedo acusativo,

Pois acusar é sempre mais fácil que admitir falhas;

E que não encostes em meu nariz,

Pois assoarei sem dó toda a sujeira que apontas

E reconhecerás tanta semelhança!

 

Olha para mim, como a um espelho.

Os seres humanos são tão irrisórios no existir,

Tão diferentes, mas também tão iguais e previsíveis...

Vá, aponta-me o dedo acusativo,
E ele te será decepado junto ao pescoço, um dia.



Escrito por Ivan Bueno às 22h25
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


O EU INSUPORTÁVEL

Ivan Bueno – 10/02/2009 (23h33)

 

 

É insuportável não conseguir não me enxergar.

Enxergo-me em demasia, mergulho em mim demais: dói, corrói.

Não consigo mentir o que não sou,

Não consigo fingir o que não sou, o que não sei.

Torno-me presa fácil, alvo fácil, vida difícil de viver assim.

 

É insuportável me ver ao espelho e me saber

Sem enganos, com tanta crueza, sem sutileza, com tanta rigidez

De julgamento, de exigências, de clemências,

De auto-piedade, de maldade, de boba-bondade.

Torno-me alvo, presa, caça, de difícil deglutição pra mim e outros.

 

O espelho me mostra um homem que é menino,

Um homem que tem medos infantis, pueris, mas doídos como quê.

O espelho me mostra o tempo

Melhor que qualquer relógio ou ampulheta

E meu coração salienta mais e mais as batidas em vão, a falta de paixão.

 

O espelho mostra o monstro e o bom,

Mostra o que queria ser, no meu olhar, e o que não sou, na sobrancelha franzida.

Mostra-me um olhar desalentado

E uma esperança meio perdida, mas insistente, cambaleante.

O coração bate, os olhos choram, a boca ri e cala o grito.

 

Às vezes sou insuportável pra mim mesmo,

Às vezes acho que a culpa é do mundo, que não se olha no espelho,

Que não se reconhece; não se enxerga.

A futilidade alheia me fere, bem como a paranóia coletiva.

E o coração bate com medo, inseguro.

 

É insuportável não conseguir não me enxergar,

Olhar-me e enxergar-me tão podre, tão gente, tão vulnerável e pequeno.

É quase insuportável o existir, existindo mesmo.

Existir atrapalha a viver. É preciso fingir um pouco, ao menos.

Sou péssimo nisto. Acabo por atirar pedras... no espelho, até.



Escrito por Ivan Bueno às 17h14
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


COMEÇANDO
Aqui vou eu começando um blog.

Demorei muito tempo para decidir criar um blog e começar a escrever minhas coisas e coloca-las para que sejam lidas pelas pessoas. Isto faz com que a gente comece também a pensar melhor no que escrever e, em especial, no que quer expor. Pouca exposição, isola; muita, enrola. Qual é o meio termo? Esta pergunta é válida pra tudo, pra cada ato da vida. Qual é o meio termo? Qual a melhor palavra? Qual a melhor manifestação? Qual a melhor forma de ouvir? De qualquer forma, saber ouvir é importante e saber falar, também.

A ideia deste espaço é me manifestar com meus pensamentos e imagens da forma que achar mais conveniente; mostrar e receber sugestões; divulgar eventos, sugerir, criticar, elogiar, emitir opiniões, omitir (quando inevitável) até. A regra básica é ter poucas regras que só irão surgindo com o tempo. Da mesma forma como sinto minha vida se formando, mesmo já tendo passado dos 40: este blog vai refletir isto.

Que quem vier, venha em paz e seja bem vindo. Aqui lerão palavras de paz e tormenta, de otimismo e pessimismo, de tranquilidade e desespero. Enfim, aqui lerão demonstrações de um ser humano que tenta (ao menos tenta) se manter bem humano e transparente, mas não imune a "muros" ou "cascas". Eu penso muito, e este vai ser o espaço público onde parte dos meus pensamentos aparecerá fora de mim... não só pra mim.

Bem vindos os fracos, os que têm medos, incertezas, fragilidades, pois são humanos. Quem não tem? Bem vindos todos, até quem não assume suas misérias. Se não entendem bem onde quero chegar, leiam "Poema em Linha Reta", de Fernando Pessoa, sempre tão gente, tão pessoa.

Lá vamos nós... conto com vocês.
Ivan.



Escrito por Ivan Bueno às 16h53
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
 
Histórico


Votação
Dê uma nota para
meu blog



Outros sites
 UOL - O melhor conteúdo
 BOL - E-mail grátis