Meu Empirismo Vernacular ... por Ivan Bueno


Assalto de Viver

Ivan Bueno – 24/02/2008 (02h12h e 12h22)

 

 

Assalto de emoções,

Assalto de transgressões,

É este o viver.

 

Regras são regras,

Vida é vida.

A consciência é a mãe dos atos.

 

Se livre ou não,

Depende do ser,

Da subjetividade;

 

Da liberdade,

De certas jaulas mentais,

Da vontade;

 

Da independência dos tabus,

De depender de regras humanas,

Sempre tão humanas.

 

Não há Deus que nos permita,

Não há Deus que nos proíba,

Nós somos deuses irresponsáveis.

 

Regras são regras,

Vida é vida,

A consciência é a mãe das escolhas.

 

Viver com menos regras,

Viver mais consciente,

Chave que abre sorrisos e encantos.

 

Viva!

Arrisque-se!

Viva o risco de ser feliz.



Escrito por Ivan Bueno às 22h30
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APONTA-ME O DEDO

Ivan Bueno – 22/04/2008 (22:13h)

 

Aponta-me o dedo acusativo!

Deixo barato se não conseguires alcançar meu nariz.

Caso o alcance, que saibas correr rápido!

Vou ao teu encalço a te fazer provar tuas inocências

Em meio a tantas demências.

 

Aponta-me o dedo acusativo,

Pois acusar é sempre mais fácil que admitir falhas;

E que não encostes em meu nariz,

Pois assoarei sem dó toda a sujeira que apontas

E reconhecerás tanta semelhança!

 

Olha para mim, como a um espelho.

Os seres humanos são tão irrisórios no existir,

Tão diferentes, mas também tão iguais e previsíveis...

Vá, aponta-me o dedo acusativo,
E ele te será decepado junto ao pescoço, um dia.



Escrito por Ivan Bueno às 22h25
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O EU INSUPORTÁVEL

Ivan Bueno – 10/02/2009 (23h33)

 

 

É insuportável não conseguir não me enxergar.

Enxergo-me em demasia, mergulho em mim demais: dói, corrói.

Não consigo mentir o que não sou,

Não consigo fingir o que não sou, o que não sei.

Torno-me presa fácil, alvo fácil, vida difícil de viver assim.

 

É insuportável me ver ao espelho e me saber

Sem enganos, com tanta crueza, sem sutileza, com tanta rigidez

De julgamento, de exigências, de clemências,

De auto-piedade, de maldade, de boba-bondade.

Torno-me alvo, presa, caça, de difícil deglutição pra mim e outros.

 

O espelho me mostra um homem que é menino,

Um homem que tem medos infantis, pueris, mas doídos como quê.

O espelho me mostra o tempo

Melhor que qualquer relógio ou ampulheta

E meu coração salienta mais e mais as batidas em vão, a falta de paixão.

 

O espelho mostra o monstro e o bom,

Mostra o que queria ser, no meu olhar, e o que não sou, na sobrancelha franzida.

Mostra-me um olhar desalentado

E uma esperança meio perdida, mas insistente, cambaleante.

O coração bate, os olhos choram, a boca ri e cala o grito.

 

Às vezes sou insuportável pra mim mesmo,

Às vezes acho que a culpa é do mundo, que não se olha no espelho,

Que não se reconhece; não se enxerga.

A futilidade alheia me fere, bem como a paranóia coletiva.

E o coração bate com medo, inseguro.

 

É insuportável não conseguir não me enxergar,

Olhar-me e enxergar-me tão podre, tão gente, tão vulnerável e pequeno.

É quase insuportável o existir, existindo mesmo.

Existir atrapalha a viver. É preciso fingir um pouco, ao menos.

Sou péssimo nisto. Acabo por atirar pedras... no espelho, até.



Escrito por Ivan Bueno às 17h14
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COMEÇANDO
Aqui vou eu começando um blog.

Demorei muito tempo para decidir criar um blog e começar a escrever minhas coisas e coloca-las para que sejam lidas pelas pessoas. Isto faz com que a gente comece também a pensar melhor no que escrever e, em especial, no que quer expor. Pouca exposição, isola; muita, enrola. Qual é o meio termo? Esta pergunta é válida pra tudo, pra cada ato da vida. Qual é o meio termo? Qual a melhor palavra? Qual a melhor manifestação? Qual a melhor forma de ouvir? De qualquer forma, saber ouvir é importante e saber falar, também.

A ideia deste espaço é me manifestar com meus pensamentos e imagens da forma que achar mais conveniente; mostrar e receber sugestões; divulgar eventos, sugerir, criticar, elogiar, emitir opiniões, omitir (quando inevitável) até. A regra básica é ter poucas regras que só irão surgindo com o tempo. Da mesma forma como sinto minha vida se formando, mesmo já tendo passado dos 40: este blog vai refletir isto.

Que quem vier, venha em paz e seja bem vindo. Aqui lerão palavras de paz e tormenta, de otimismo e pessimismo, de tranquilidade e desespero. Enfim, aqui lerão demonstrações de um ser humano que tenta (ao menos tenta) se manter bem humano e transparente, mas não imune a "muros" ou "cascas". Eu penso muito, e este vai ser o espaço público onde parte dos meus pensamentos aparecerá fora de mim... não só pra mim.

Bem vindos os fracos, os que têm medos, incertezas, fragilidades, pois são humanos. Quem não tem? Bem vindos todos, até quem não assume suas misérias. Se não entendem bem onde quero chegar, leiam "Poema em Linha Reta", de Fernando Pessoa, sempre tão gente, tão pessoa.

Lá vamos nós... conto com vocês.
Ivan.



Escrito por Ivan Bueno às 16h53
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